O riso cearense - V

Algumas pessoas têm uma incrível facilidade de encontrar um motivo para contar uma piada, fazer um gracejo, concedendo aos ouvintes momentos de riso fácil e descontraído. Quanto ao conteúdo e clientela, pode-se falar que existem as piadas de salão, as quais são extirpadas de qualquer conotação sexual, respeitando as donzelas e senhoras presentes ao ambiente, e as de cozinha mexicana, devido ao condimento reforçado (spicy). Inclusive, por conta disso, há quem diga que o mexicano não tem cloaca...

Durante os nossos encontros pedagógicos, devido à diversidade da clientela, procurei utilizar as do primeiro grupo, evitando que o grupo de alunos se tornasse ainda menor. Mas, como hoje é a nossa última aula, vamos ter uma sessão completa de piadas, começando com as lights. E como feliz é o Homem que ri de si mesmo, o ator principal será um professor...

Irritado com os seus alunos que tinham alcançado rendimento abaixo do esperado, o professor lança um desafio.

- Aquele que se julgar burro, faca o favor de ficar em pé.

Todo mundo continua sentado, no mais completo silencio. Alguns minutos depois o melhor aluno da classe levantou-se.

- Quer dizer que você se acha burro? perguntou o professor, indignado.

- Bem, pra dizer a verdade, não! Mas fiquei com pena de ver o senhor aí, em pé sozinho!

A turma caiu na gargalhada e de nada adiantou ele ter mandado o atrevido pupilo para a sala do diretor. Cumprida a jornada, o mestre passou na tesouraria, recebeu o seu polpudo salário e se dirigiu ao bar mais próximo da escola com o fito de esquecer as mágoas e tristezas de mais um dia de trabalho. Depois de tomar algumas doses e estudar calmamente o ambiente, ele escolheu a presa e arriscou uma aproximação:

- Este lugar está vago?

- Está, e este aqui também vai ficar se você se sentar aí - disparou a mulher, totalmente insensível ao estado emocional do lente.

O coitado como estava mais para lá do que para cá, não entendeu e foi logo se abancando. Tomou mais dois goles e indagou da simpática representante do sexo feminino:

- A gente já não se encontrou antes?

- Já, é por isso que eu não vou mais lá! - respondeu a donzela, sem sequer olhar para o rapaz.

Ele balançou a cabeça, deu um riso amarelo (pois não entendeu o corte na zona dos três metros) e, antes de tomar mais uma, insistiu:

- Será mesmo que eu já não te vi em algum lugar?
- Sim, eu sou a recepcionista da clinica especializada em doenças venéreas - fulminou a moça.

Aí o tempo fechou! O sujeito ficou intrigado com aquela resposta, pois ele era virgem e o contato mais íntimo que ele tinha tido com as fêmeas da sua espécie tinha sido através de revistas especializadas...

Devido ao consumo de álcool, fato raro na sua curta vida, os seus neurônios não estavam funcionado bem. Assim, ao invés de se retirar, ele achou que ela era uma vidente e estava lendo o seu futuro. Ora, desde a adolescência ele se tornara um leitor voraz de assuntos esotéricos, incluindo a Astrologia. Ele até que gostaria de conversar mais com ela, mas o avançar da hora forçava-o a interromper aquele encontro. Outro saída não lhe restava a não ser confessar:

- Eu queria te ligar. Qual é o seu telefone?

- Está na lista.

- Mas eu não sei o seu nome - retrucou o ingênuo galanteador.

- Também está na lista.

Ele, então, resolveu colocar todas as fichas na mesa:

- Ora, vamos, parar com isso: nós dois estamos aqui pelo mesmo motivo!

- É verdade: pra pegar mulher - rugiu a fêmea que não sabia mais o que fazer para ficar sozinha.

- A gente vai para a sua casa ou para a minha? - avançou ele, insistindo na tática do tudo-ou-nada.

- Os dois. Você vai para a sua casa e eu vou para a minha - rechaçou firmemente a donzela.

Ele sabia, não em virtude de experiências pessoais, mas de ler relatos de aventuras sexuais na Internet, que aquela resposta era uma tremenda dissimulação. Mais do que rapidamente, pediu a conta e levou a companheira ao motel mais barato que tinha conhecimento.

Depois de passar a noite toda no motel, entre beijos e cheiros, ele romanticamente indaga:

- Como você prefere seus ovos no café da manhã?

- Não fecundados - dispara ela, ao mesmo tempo em que se levanta, vai até a bolsa, pega um comprimido e o engole.

- O que você esta tomando? - perguntou ele. - A pílula?

- Não, é um tranqüilizante. É que eu me esqueci de tomar a pílula! - respondeu a compreensiva amante.

Paulo Barguil
09/03/2000

 
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