O riso cearense - IV

Infelizmente, por motivo de força maior, completamente alheio a nossa vontade, comunico-lhe que as nossas atividades pedagógicas, no que diz respeito ao curso "Como ficar vivo morrendo de rir", serão suspensas por tempo indeterminado. Após 3 semanas de aulas, nenhum suposto aluno enviou qualquer mensagem, seja de crítica ou de elogio (o que, reconheço, é muita pretensão...)! :-(((

Esse seria o início da crônica, não fosse o fato de um leitor (diga-se de passagem, assaz simpático, inteligente e bem-humorado) ter enviado o seguinte e-mail:

"Adorados Senhores Barguilha e Lambu Zadinho:

Sobre o seu curso 'Como ficar vivo sem morrer de rir':
Li atentamente a primeira aula e posso classificar todas as piadas em uma só classe: 'Desclassificadas'.
Eu ia dizer 'todas uma bosta', mas pressenti a existência de uma incongruência intrínseca entre 'todas' e 'uma', o que poderia valer-me o cognome de 'uma besta'... Basta?
Continuando nessa linha, procurei no dicionário as palavras 'bista' e 'busta'. Encontrei 'busta', como feminino de 'busto', que é o mesmo, então, que 'peita', 'seia' ou 'maminha'. Já a palavra 'bista' não existe em Português, mas é possível encontrar uma aproximação, que é o termo 'bistre', que quer dizer, em resumo, 'o roxo do saco'. Essa mesma palavra, no dialeto nepalês, falado pelos dalais, que são os preferidos pelos deuses na lama a vocês na cama, pode ser compreendida como 'o chouriço grosso do colibri'.

É mole?"

Por motivos de segurança e respeito ao leitor, a identificação (assim como no programa Linha Indireta, da Rede Bobo) é mantida no mais absoluto sigilo (como se possível fosse o relativo sigilo...). Por isso, Goiano, não se preocupe, porque o e-mail da Elvira Maria não será divulgado, ok? :-)

Objetivando promover uma maior integração entre os participantes do presente curso, decidi que seria melhor responder ao atencioso pupilo durante a própria aula e não durante o recreio:

"Prezado Sr. Natural do Estado de Goiás,

Foi com extrema alegria e ansiedade que constatei a existência de um e-mail na minha caixa de correio, depois de uma longa e angustiante espera.
O sentimento inicial foi, aos poucos, se transformando na sensação de que V. Sa. não está sendo tratada como merece...
Calma, não me entenda mal!
Em virtude da vossa laboriosa produção, acredito que V. Sa. merece compor o quadro docente em vez de permanecer humildemente no corpo discente.
Espero que este decente convite seja recebido como uma manifestação do apreço que V. Sa. é, induvidosamente, merecedora.

Abraços,

Paulo Barguil e Abu Zadim (ainda ausente em virtude do carnaval pernambucano)"

Há quem ache que o assunto abordado no presente curso não tem nenhuma importância na transformação social, pois não elabora uma crítica consistente da sociedade capitalista e dos seus mecanismos de alienação e exploração, contribuindo, assim, para a acomodação e adaptação ao status quo. Ocorre que a compreensão que temos da realidade não se restringe à esfera racional, verbal, mas contempla elementos de outras matizes. Assim, julgamos ser de relevante utilidade pública a discussão sobre o humor.
De nada vale somente bradar aos quatro ventos que a qualidade da transmissão emitida pelo pequeno som da rádio (também conhecida como Ministério da Saúde) comandada pelo Sr. Penhasco mais se assemelha com a de um grande mono do início do século...

Ademais, cientistas da Associação Brasileira de Psiquiatria revelam que o mau-humor é uma doença, conhecida como distimia, que atinge principalmente a população mais jovem, que tem entre 20 e 30 anos. (http://www.uol.com.br/odia/ciencia/ci200201.htm) Os seus principais sintomas são: "falta de concentração, desinteresse pela vida, dificuldade para dormir, baixa auto-estima, indecisão, fadiga, ansiedade, irritabilidade, ganho ou perda rápida de peso."

Espero que este argumento tenha lhe sensibilizado para a importância de você continuar freqüentando o nosso curso, bem como nos enviando o seu comentário.

Não gostaria de lhe confessar que o editor-chefe, ciente da reduzidíssima audiência às nossas crônicas, sentenciou-nos um ultimato: pelo menos cinco cartas por semana.

Dirijo-lhe, então, meu sincero e humilhe apelo (talvez o último): escreva-nos, envie a sua opinião, crítica e pergunta. Porque aqui, assim como ali, o final é você quem decide!!! :-)

Paulo Barguil
29/02/2000

 
www.paulobarguil.pro.br