O riso cearense - II

Acredito que, dificilmente, a continuação de uma obra é tão boa quanto a primeira. Mas, devido ao enorme sucesso da crônica anterior (nenhum e-mail recebido, nenhuma nota na Folha de São Paulo, nenhum destaque no UOL), resolvi fazer algo diferente, afastando-me do simplesmente escrever mais um pouco sobre o tema.

Aproveitando que a onda agora é falar em educação virtual, estou lançando em parceria com o grande Abu Zadim o curso "Como ficar vivo morrendo de rir". Em cada módulo, o professor, educador, orientador, facilitador, escritor, instrutor, abordará de forma didática, clara, concisa, um aspecto desta importante seara da vida humana: o humor.

Caso você tenha interesse em enriquecer o seu currículo, não se acanhe: abra a porta da sala de aula, escolha uma carteira e procure ficar perto do ventilador. Por favor, se o seu interesse não for estritamente pedagógico, sinta-se à vontade, mas não converse alto, ok?

Mais um esclarecimento: não é necessário se inscrever, nem pagar taxas, nem enviar número de cartão de crédito (pois, com certeza, algum engraçadinho poderia mandar o da ex-namorada...), mas se você quiser fazer alguma doação, não tem problema! :-)

A avaliação dos alunos abordará aspectos teóricos e práticos. Quanto ao primeiro item, é necessário o envio das respostas solicitadas em cada etapa do curso, dentro do prazo estabelecido: 53 horas, 17 minutos e 26 segundos, a partir da divulgação da lição na Internet. Quanto ao segundo item, o candidato redigirá, após a conclusão dos módulos, uma crônica a qual será analisada por um comissão de altíssimo nível, no caso o Conselho Editorial da Crônica do Dia: Eduardo Loureiro Jr., Felipe Holder e Leila Miccolis. O certificado de aprovação será a publicação da produção no site Crônica do Dia.

Que história é essa de ir para a casa? Você está pensando que aqui é como na universidade, onde o 1o dia de aula é só conversa mole? O módulo inicial começa agora mesmo.

Dependendo da relação existente entre forma e conteúdo, pode-se falar que existem 2 tipos de piada. No primeiro grupo, estão aquelas que se apresentam de forma sóbria, dificultando a sua identificação como tal. Elas são tão boas, que o leitor fica na dúvida se deve acreditar ou se pode cair no riso (o noticiário nacional é repleto de ótimos e inigualáveis exemplos, conforme você constatará durante os nossos encontros). No segundo grupo, estão aquelas que, a partir de uma notícia ou de um acontecimento, com a simples troca de alguns detalhes, nos fazem cair no riso.

Delicie-se com as seguintes amostras e classifique-os conforme o tipo de cada um (envie a sua resposta para paulomb@roadnet.com.br, escrevendo no subject HUMOR).

No final do mês passado, no Ceará, um canal que liga os açudes Pacoti e Pacajus arrombou. É um fato aparentemente normal, embora que não desejável. O detalhe foi a explicação apresentada pelos técnicos: segundo eles, o acidente aconteceu devido a um formigueiro. (http://www.opovo.com.br/200001/27/ceara/27CE0801.htm)

Inspirado nas aparições do Padre Quevedo no Fantástico, a Net já ganhou uma versão daquele bloco: o Padre Quemedo. (http://www.uol.com.br/weberson/quemedo.htm) Quem tiver suas perguntas, seus medos, suas indagações, seus temores, suas dúvidas, pode endereçá-las ao reverendo (quemedo@weberson.com.br), que ele enviará a resposta para a sua casa. Caso ele tenha horário disponível, ele poderá visitá-lo na calada da noite...

Engana-se, redondamente ou triangularmente, quem pensa que é privilégio de brasileiro fazer graça. Você acredita que uma rádio inglesa colocou, no mês passado, na Internet um confessionário? (http://www.theconfessor.co.uk)

Ou seja, aquelas almas que quiserem se manter limpas, depois de visitar aqueles sites mais picantes ou depois de participar de algum chat mais sensual, não precisam mais sair de casa! A mesma linha telefônica (ou cabo de fibra ótica) que trouxe a perdição trará a salvação. De certa forma, isto já estava previsto naquele sábio provérbio popular. Refiro-me não ao famoso "Uma mão lava a outra", mas ao seu clone, não tão perfeito geneticamente: "A mão que alisa é a mesma que bate"...

Além do sigilo e da privacidade, o serviço tem uma vantagem fabulosa, quando comparado ao tradicional modelo: ele não tem penitência! :-)))

Numa atitude mais do que esperada, a Igreja Católica Romana, através de um porta-voz, condenou a idéia: "Isto não é o que católicos entendem como confissão. Confissão não pode ser feita por telefone, e-mail ou procurador". (http://www.uol.com.br/internet/flashvox/ult20012000052.htm)

Confissão por procuração? Gostei da idéia...

Paulo Barguil
08/02/2000

 
www.paulobarguil.pro.br