Ano 2000, década 200, século XX e 2o milênio.

É claro que eu defendo o direito de as pessoas acreditarem (ou não) no que quiserem. Reconheço, porém, que é difícil me manter calado quando vejo o bom direito ser usurpado de nossas práticas sociais.

Buscando humilde e laboriosamente cumprir o juramento que proferi há quase 6 anos, quando da colação de grau da Licenciatura em Pedagogia, vou socializar um pouco do que sei sobre a questão do final ou não do milênio.

Inicialmente, devo esclarecer que o calendário seguido pelo mundo ocidental, denominado Gregoriano, o qual foi instituído em 1582, pelo papa Gregório XIII, substituindo o Juliano, é apenas um dos existentes.

Há pelo menos outros dois que merecem ser citados: o muçulmano e o judaico, os quais têm a mesma lógica do adotado pelo mundo cristão. Enquanto o primeiro tem como marco a Hégira, saída de Maomé de Meca para Medina, o segundo se inicia com a criação do mundo, conforme os relatos bíblicos.

A importância e a necessidade do calendário Gregoriano foi a instituição do ano bissexto, que permitiu a correção entre a pequena diferença existente entre o calendário adotado até então (de 365 dias) e o tempo gasto pela Terra ao efetuar a translação ao redor do sol (365,2425 dias). Esse lapso, aparentemente desprezível, depois de mais de 16 séculos gerou uma defasagem de 10 dias, a qual foi compensada com a exclusão desse período no calendário dos países que o adotaram.

Em relação ao futuro, a solução encontrada foi a instituição do ano bissexto, que incorpora a cada 4 anos a sobra de cada ano, com exceção dos anos que são finais de séculos e não são múltiplos de 400: não foram bissextos os anos 1700, 1800 e 1900, bem como não serão bissextos os anos 2100, 2200, 2300, 2500, 2600, 2700, ...

O desenvolvimento tecnológico permitiu a descoberta da existência de irregularidade na rotação da Terra, desta vez na casa dos segundos. Mais que rapidamente, procurou-se um novo referencial que permitisse uma maior exatidão na contagem do tempo. Atualmente, o segundo é medido conforme a freqüência da radiação característica do Césio 133: 9.192.631.770 Hertz.

Com o fito de garantir a precisão e diminuir a chance de uma possível interferência gravitacional, existem espalhados no nosso planeta 22 relógios que adotam tal sistema, os chamados relógios atômicos, que são rotineiramente ajustados entre si.

Mas, se você acha mesmo que o século XX está acabando, então é bom você ficar sabendo o que aconteceu de mais marcante nos últimos 100 anos.

Eu só vou me preocupar com isso daqui a um ano! :-)))

Paulo Barguil
29/12/1999

 
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