O fim dos tempos!!!

– Racionem: energia, água e amor!

Esta é a nova frase de ordem que tenho ouvido nos últimos dias.

Primeiro, foi a esdrúxula aplicação do horário de verão no Ceará (bem como no Nordeste): conforme inúmeros estudiosos explicaram, a posição do estado (e da região) no globo faz com que o sol se apresente para nós, no máximo, apenas 15 minutos a mais do que na época normal, redundando que a economia da energia verificada no turno da noite é gasta na manhã seguinte, devido ao simples fato de que 6 horas da manhã por aqui ainda está escuro...

Depois, a CAGECE (Companhia de Água e Esgoto do Estado do Ceará), numa demonstração inequívoca de como a tecnocracia, aliada a grupos políticos de orientação neoliberal (Tasso & FHC), é capaz de piorar cada vez mais a vida do cidadão, instituiu a cobrança de uma taxa de excesso. De início, creio ser um absurdo uma companhia (seja de água, energia, telefone, combustível, ...) determinar o quanto o usuário pode consumir.

A situação até que seria aceitável se, em virtude da baixa quantidade do precioso líquido armazenado em nossos reservatórios, ela tomasse como índice a média obtida a partir do histórico de alguns meses, mas que nada! Os gênios (do maligno) determinaram a redução do consumo em 20%! Isso mesmo: 20%. Ora, os analistas afirmam que a implantação do horário de verão permitirá uma economia (máxima), em todo o território nacional, de 2% (dois por cento) do consumo da energia, os técnicos daqui simplesmente abusaram da nossa inteligência e paciência!

Aqueles que não conseguirem reduzir o consumo de água no patamar determinado pagarão uma multa de 100% (cem por cento) sobre o excesso! Para aumentar o engodo, ela afirma que a medida é provisória: só vai durar até 30 de junho de 2000. Mais uma inverdade: nós sabemos que todos esses impostos, essas taxas ditos temporários acabam sendo incorporados ao orçamento dos governos – CPMF, alíquotas ampliadas do Imposto de Renda, ...

A última aconteceu domingo passado. Aproveitando o fato de que tinha tomado banho, afinal tive que reduzir em quantidade (esperando que não atinja a qualidade...) os meus rituais higiênicos, fui ao North Shopping com minha namorada. Estávamos, romanticamente, sentados num banco, trocando alguns beijos calientes, quando fomos interrompidos pelo segurança do estabelecimento:

– Com licença. O que vocês estão fazendo é proibido.

Eu, ainda buscando ar, não pelo carinho retribuído até então, mas devido à abordagem, retruquei:

– Mas, nós só estamos nos beijando, meu amigo.
– Pois é: é proibido se beijar. Ainda mais que vocês estão de frente para aquela câmara, que está ligada à central de segurança.

Minha namorada, tão surpresa quanto eu, quis se levantar e ir à central: não para requerer maiores explicações ao supervisor, mas para solicitar que o mesmo cedesse a fita, afinal ficamos curiosos para saber como tinha sido a nossa performance...

Paulo Barguil
15/12/1999

 
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