O rei e o mendigo

Já houve quem dissesse (e não foram poucas essas pessoas!) que ele tinha o rei na barriga, devido à sua megalomania, ao seu excesso de auto-confiança (excesso, talvez, em virtude da ausência do atributo de quem o criticava...). Eu, por tê-lo como amigo-irmão, sou suspeito de comentar. Ou será que a minha suspeição reside no fato de eu também ter um príncipe, ou algum outro nobre menos gabaritado, no meu estômago?

Acredito que rei e mendigo somos todos nós: alguns desempenham mais o primeiro, outros preferem o segundo, há ainda quem busque outros figurinos mais apropriados para a sua trama pessoal. Cada um é que sabe (quando sabe...) das máscaras que usa e da necessidade (às vezes, impossibilidade) de trocá-las em determinada situação da vida.

Fico imaginando o semblante dos acusadores do passado se soubessem que ele, numa demonstração inequívoca que a humanidade pode ter esperanças na conversão das almas mais perdidas, pediu no seu aniversário (o 29o) um ... mata-moscas!!! :-)))

O pleito anterior de um iate, na verdade, não merece ser levado em consideração: era apenas uma brincadeirinha, típica do bobo da corte, papel que, definitivamente, não se encaixa na sua performance artística.

Sensibilizado pelo fato de ele estar acordando tão cedo, ofereci-me para levá-lo amanhã (11/11) para a Faculdade, quando comemoraríamos a quatro bocas (ele, eu, Déa e Fabiano) o seu natalício, num café da manhã improvisado de véspera, cujo menu é: maçã, passas, suco de manga, pão, queijo, presunto, manteiga, rosca de leite condensado, biscoito, ... (os ... é só para criar em você a expectativa de que há mais itens!). Ele, mais por estar adorando pegar o ônibus tão cedo e menos por duvidar que eu chegasse no horário marcado (6:45), dispensou a minha carona.

Tudo está pronto para logo mais, inclusive o presente! Ah!, o presente que comprei para ele é segredo. Afinal, ele vai ler esta crônica antes de eu vê-lo amanha de manhã. Já pensou se ele encrencar com o dito cujo e não comparecer ao compromisso? Estou rezando para que ele goste dos stickers do São Paulo, que me custaram a fábula de R$ 1,00!!! :-)))

A você, Eduardo Loureiro Júnior, editor-chefe, em nome dos leitores e escritores da crônica nossa de cada dia, mesmo suspeitando de que as muriçocas vão se rebelar e fazer um grande protesto em frente à porta do seu quarto, chamando a atenção de toda a vizinhança, desejamo-lhe uma ótima noite com o seu decantado mata-moscas e que você não se exceda na comemoração, afinal você precisa continuar acordando cedo e deixando o nosso alimento cultural cedinho em nossos e-mails.

Parabéns, Duju!

Paulo Barguil
10/11/1999

 
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