Ali, cá ou acolá?

"Se não for agora, quando será? Se não for aqui, onde então?
Se não for eu, quem haverá de ser?"
do livro O zen nosso de cada dia

Quando eu estava começando a gostar da minha vida de funcionário público, curtindo as benesses da minha vida de mestre em Educação, eis que recebo um convite para lecionar na Universidade Estadual do Ceará, no curso de Pedagogia. A hesitação inicial não me impediu de aceitar o desafio. A alegria de estar em sala de aula, realizando um sonho cultivado durante uma década, tem se alternado com o cansaço de lecionar 12 h/a por semana. Contrariando o dizer inspirador da crônica, não socializarei agora algumas das aventuras colecionadas durante essas cinco semanas, mas fá-lo-ei em breve (I hope so...)!

Para aumentar ainda mais a rotação interna, saiu esta semana o edital da seleção para o doutorado em Educação da Universidade Federal. Apesar de eu ter jurado que descansaria por uns tempos, fui seduzido para ingressar num projeto coletivo de pesquisa, uma idéia maravilhosa, daquelas que raramente acontecem na vida de alguém. Então... resolvi que vou tentar pegar este trem. Afinal, para que servem as juras, não é mesmo? :-)

Vozes antagônicas e ferozes se manifestam a cada momento: umas me lembram que só devo fazer coisas que me dêem prazer, que me causem encantamento, que me ensinem o quanto eu tenho que aprender; outras me alertam que a qualidade da minha vida não é fruto somente do que faço, mas de como faço, pois de nada adianta estar lotado de atividades, se não tenho tempo para me deitar na rede, desfrutar dos meus familiares e amigos, brincar com o meu filho, namorar (na situação hipotética de eu encontrar alguém!), conhecer pessoas que me parecem interessantes.

Por falar nisso, é tão legal quando a gente encontra o escritor de um artigo, de um livro ou de uma crônica: as palavras ganham um tom mais vivo, assumem cores mais sutis, revelam detalhes que, normalmente, seriam desapercebidos, pois expressam a busca do autor de uma existência mais harmônica, nem que para isso ele precise conspirar com o caos, sócio e engenheiro (maldito, para uns) do universo.

Quem me dera poder, algum dia, conversar com a Leila, o Whisner, a Cláudia, o Felipe, a Carla, o Daniel e outros colegas deste nosso cantinho na NET. Quem sabe que um bate-papo virtual me saciasse (ou não...)? Alguém gostaria de tentar?

Paulo Barguil
16/09/1999

 
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