Os (re)começos do mundo

São quase 10 horas da noite, 2a feira, dia 30 de agosto. Apesar de não ter jantando ainda, estou feliz: afinal, prometi-me terminar esta crônica iniciada há quase 3 semanas! :-)

Eu sei que é estranho alguém começar um crônica e não terminá-la na mesma hora, ou no mesmo dia, ou na mesma semana, ou no mesmo mês... Mas, para mim isto é natural. Afinal, a crônica I ou J?, publicada em 15 de julho, que versava sobre a Semana Santa, precisou de uns 100 dias para ficar pronta... :-)

Não vai ser agora que vou falar/escrever sobre essas coisas que a gente começa e demora a terminar (quando termina...). Por que? Por 2 motivos: i) este assunto será apreciado futuramente por mim; ii) se eu abordasse o tema agora, estaria negando o motivo de escrevê-la!; iii) bem, você sabe, eu poderia não conseguir concluir esta crônica mais uma vez!!! Chega de papo furado: eis a minha 2a crônica forcepsada:

"Alguém falou no fim-do-mundo / o fim-do-mundo já passou /
vamos começar de novo / um por todos, todos por um" (
RENATO RUSSO)

O recente relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) revelou que o 1/5 mais rico da população mundial detém 86% do PIB Mundial, 82% dos mercados de exportação, 68% do investimento direto e 74% das linhas telefônicas. Por outro lado, o 1/5 mais pobre detém tão somente 1% de cada um desses indicadores econômicos...

Nossa mãe, que começo mais fúnebre para uma crônica (ainda bem que desisti de apresentar a estatística diária dos mortos no terremoto da Turquia)! Logo eu, que sempre procurei escrever de uma forma alegre, desfilando letras no papel como um vaga-lume que brinca na noite escura da mata, para trazer uma mensagem de alegria para os meus leitores. Inspirado em Raul Seixas, Paulo Coelho & Marcelo Motta ("Veja: não diga que a canção está perdida / tenha fé em Deus, tenha fé na vida / tente outra vez!"), vou começar de novo:

O mês de agosto que costuma ser considerado como um mês carregado de emoções negativas na História do Brasil vai chegando ao final. Infelizmente, o Filósofo Hipócrita Contemporâneo continua quebrando o país, com a ajuda de seus 40 ajudantes, numa versão liberal de Hobin Hood: tirando dos pobres para dar aos ricos – afinal, o que foi o PROER? Portanto, acho uma tremenda injustiça dizer que ele não tem competência para guiar a nação.

Pode se dizer tudo da nossa elite dirigente, mas por favor não deixem de reconhecer que ela é cínica, muito mais do que a Regina, da novela Suave Veneno. Quem não se lembra de que no último debate da campanha presidencial de 1989, o Fernando I acusou o Lula de planejar o confisco da poupança, quando na verdade era isto que a Azeda não Caridosa Melada estava tramando? Aquele Cretino Maior ao propor o imposto para a pobreza, na verdade, só está tentando desviar a atenção da população com o auxílio da mídia-merda para os desmandos praticados pelos nossos administradores públicos.

Pois é: agosto terminou e mais uma vez aquele meu amigo de adolescência continua solteiro, apesar de sempre ter dito em alto e bom som que casaria em agosto. Quando era indagado sobre o ano, ele explicava: "A gosto... de Deus!".

Paulo Barguil
22/08/1999

 
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