Algumas aventuras

A vida apronta cada uma: e não é que a minha crônica (Alo, Alo, Brasil) foi publicada sem os acentos? Bah! (em homenagem ao Daniel Galera). Apesar de ter encontrado uma solução para esse problema, a minha Turma B aproveita a oportunidade para se divertir: fica procurando reescrever uma frase sem que eu precise acentuar. Por exemplo: posso substituir o "encontrado uma solução para esse" por "solucionado o".

Estou de férias, certo? Teoricamente, sim. Afinal, viajei para outro local, estou conhecendo outras realidades, tendo outros hábitos. Ops! Pensando bem, acho que nem tanto: continuo acessando a NET quase todos os dias, lendo o OPOVO (jornal de Fortaleza), checando meu e-mail, visitando o site do UOL em busca das últimas notícias, escrevendo para o Pátio… :-)

Pensando bem, eu gosto destas coisas: não quero deixar de fazê-las!

Por outro lado, estou momentaneamente livre de ir ao trabalho, de fazer compras no supermercado, de pagar contas (deixei todas quitadas!), de pensar sobre o meu futuro, de dirigir. Felizmente, aqui também tem engarrafamento, principalmente por volta das 5 horas da tarde. Fiquei aliviado em saber que neste aspecto não estamos nada a dever, exceto as pistas de 4 faixas ou mais. Apesar desta sutil diferença, o Brasil chegará ao mesmo tempo que os EUA no 3º milênio.

Deixando os devaneios econômicos para outro dia, prefiro falar sobre alguns passeios que fiz aqui em Houston, no Texas.

Comecei o dia 09, por volta das 9:30 da manhã, com um típico café da manhã americano no Waffle House: omelete de queijo, presunto e salsicha (dispensei o bacon), suco de laranja (engarrafado, é claro: por aqui, não
existe suco feito na hora), trips (uma papa salgada), chili (uma sopa com feijão e carne picada), torradas, manteiga e geléia. O detalhe no canto do restaurante era a máquina de CD, oferecendo aos clientes o direito de fazerem a seleção musical do ambiente, desde que eles se propusessem a pagar US 1.00 por 4 canções.

De lá, fomos à embaixada do Brasil, que fica no 13º andar do prédio. Melhor dizendo, no 14º andar, pois o desenvolvimento científico alcançado pelos americanos mostrou cabalmente que a identificação de um andar com o número 13 poderia ser danosa às estruturas da construção, provocando o seu desmoronamento ou incêndio…

Próxima parada: George R. Brown Convention Center, para participar da ITEC (Information Technology), uma feira de informática. Uma grata surpresa: quase todos os expositores ofereciam souvenirs – canetas (recolhi umas 15, pois no início estava tímido, algumas mais simples, outras mais sofisticadas), chaveiros, bolas para diminuir o stress, bombons (balas, para os paulistas), chocolates, pipoca, refrigerante e muito mais! Uma festa para criança nenhuma botar defeito. Só faltavam palhaço e balões.

O almoço-jantar, depois das 5 horas da tarde, com o sol tão forte como o nosso das 2 horas, foi no Hartz Chicken Buffet, onde a boca é livre: paga-se a taxa única – mais ou menos US 7.00 – e se come e bebe à vontade. Para evitar um drama de consciência, terminei o dia caminhando num parque cerca de 2 milhas (cada milha tem 1,6 km). Cheguei em casa no mesmo instante em que o sol estava se pondo: 8:40. Graças a Deus, perdi o Jornal Nacional!

Paulo Barguil
15/06/1999

 
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