Alo, alo, Brasil!

Um esclarecimento inicial: que me perdoe o editor-chefe, mas o texto esta todo sem acentuacao… Nao sei se ele tera a paciencia ou o tempo necessario para inseri-la, se vai publicar assim mesmo ou ainda se vai aguardar o meu retorno a Patria amada, quando serei gentilmente convidado a faze-la. Sabe-se la com que humor ele estara quando receber esta cronica! :-)

Estou ha quase 72 horas nos Estados Unidos. Tenho falado - seja em Portugues, seja em Ingles - muito pouco.

Pensado, menos ainda. Sou como a areia da praia, que descansa ante as ondas do incansavel mar, o transitorio ceu com suas permanentes nuvens (ou seria o contrario?) e os pes dos gentis banhistas, quer de humanos, quer de caranguejos.

A leitura, melhor dizendo, o comeco da leitura do livro "A volta do filho prodigo", iniciado no voo Salvador-Miami, me conectou a uma interessante realidade: estou aqui para me encontrar com Deus. Por "aqui", quero designar nao somente a minha rapida estada na America, mas o periodo que vai durar a minha encarnacao...

Imagens, sons e palavras de um passado bem proximo insistem em me visitar. Ao contrario do que esperava, eles nao me angustiam, nem me deprimem, pois tenho a certeza de que a agua de outrora, mesmo que (aparentemente) nao abencoada pelo Criador, ajudara a fecundar sementes repletas de alegria e harmonia.

As lagrimas que caem em virtude dos baloes que se foram, apesar de todo o cuidado que tive para mante-los perto de mim, nao sao mais tao amargas e pesarosas como no inicio. Divirto-me, entao, com a danca deles rumo ao infinito, ficando cada vez menores aos meus olhos, ate desaparecerem por completo: continuam la, embora nao os veja.

Que venha e fique o sol, bem-vindos sejam os seus raios, do infra-vermelho ao ultra-violeta: aqui estou para novas aventuras, nao me incomodo se o Universo se recusa a me pagar o adicional de 40% devido a atividade insalubre! :-)

A voz de Vange Leonel, interpretando "Esse mundo", cancao dela e de Cilmara Bedaque, mais uma vez asperge acordes milagrosos capazes de curar feridas que costumam usar mascaras para esconder vales profundos e vulcoes adormecidos, expressoes das forcas (sempre) misteriosas da natureza.

Paulo Barguil
12/06/1999

 
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