Sinaleiras, semáforos e sinais

Não, eu não vou falar sobre o trânsito brasileiro: congestionamento, excesso de velocidade, motorista conduzindo veículo embriagado, a sinfonia das buzinas na saída de um colégio no final de um dia de aula, desrespeito às placas de sinalização (quando elas existem!), má conversação das vias, ...

Quero, hoje, externar minha gratidão a ele. Sim, não fosse ele, por exemplo, o Eduardo não estaria deixando o carro na garagem e indo de ônibus para lecionar na Faculdade, o que nos privaria de inúmeras crônicas já concebidas e paridas no trajeto lar-trabalho-lar. Quer mais um exemplo?

O Daniel escreveu semana passada (27/04), simpática crônica A luz verde do semáforo[em itálico], onde relata que está sendo acometido de crises de inspiração. Instigado a procurar as causas para tal fato, chegou até a aceitar a teoria do amigo de que a recente namorada estaria preenchendo os espaços da sua vida: "Mas agora em minha vida há uma mulher, e tudo estabiliza-se.". Longe de mim, toda e qualquer tentativa de questionar a estabilidade oriunda de uma relação afetiva. Já pensou se algum engraçadinho descobre que isto é puro despeito, só porque estou solteiro? Acho melhor nem arriscar! :-)

Adiante, num estilo de causar inveja a Machado de Assis, ele vai descrevendo nuvens multicoloridas que cruzam rapidamente o céu da sua mente, enquanto espera a sinaleira abrir. Ao final, lamenta a ausência de um pedaço de papel e de um lápis que pudessem auxiliá-lo no registro daqueles momentos. Por fim, ele prometeu: "A próxima luz verde, não pretendo deixá-la escapar. Desde então trago sempre comigo um bloquinho e uma lapiseira no bolso."

Estava eu, mais uma vez, brincando de amarelinha com as minhas idéias, quando li a sua última crônica, Será numa quinta-feira, em que ele desfere, num só parágrafo, 644 palavras dispostas em 63 linhas. Várias dúvidas, então, me ocorreram: "Será que existe sinal, digo, sinaleira em PoA que demora mais de 3 minutos para abrir?, "Será que ele já fez curso de taquigrafia?", "Será que ele desistiu de ir para a aula e resolveu seguir a personagem da crônica?", "Será que algum daqueles vira-latas que estava na praia era o que ele havia encontrado, há quase 4 meses, quando da sua peregrinação nas simpáticas ruas do centro da capital gaúcha e perdido na Usina do Gasômetro, quando resolveu entrar para ver uma exposição de cartazes de um famoso designer alemão?".

Ele tinha razão: "A inspiração é algo engraçado."!

Paulo Barguil
05/05/1999

 
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