MIM

Ontem conheci, via ICQ, a Tatiana Leão (responsável pela abertura do Pátio na era Trix): estava conversando com o Duju e ela apareceu. Eles ficaram trocando idéias sobre aquele "sitezinho" – cgi, asp, script, flawed e outros termos técnicos que só de ouvir me causaram um profundo e longo arrepio na espinha. E pensar que sou Analista de Sistemas! – que ensejou a 1a visita do Eduardo ao site da Playboy, pelo menos é o que ele diz... Pena que o Felipe, apesar de estar conectado não ingressou no nosso papo: a empresa em que ele trabalha, num atentando à sua liberdade constitucional de ir e vir, falar e calar (por analogia), bloqueou o acesso dele ao chat via ICQ!

Para minha surpresa, ela me falou que tinha um site (sítio, em português) sobre literatura: Fim da Mente. Não contendo a curiosidade, escapuli por alguns instantes do envolvente diálogo técnico dos dois, e fui conferi-lo. Uma delícia: há várias poesias em português, inglês, francês e espanhol, além de outras opções. Você está convidado(a), após a leitura desta crônica (é claro), a conhecê-lo. :- )))

Logo na 1a página, encontrei, com a ajuda da sempre prestativa e solícita turma B, a inspiração para o meu dever semanal: 03/VII/1998. Questionada sobre o por quê para ter escrito o mês em algarismo romano, Tati me disse: "Costume". Efetuando um link com a crônica das rotas de ônibus, indaguei-me: "Mas, por que é mesmo que usamos algarismo árabe no cotidiano? Quer dizer que além da queda de Constantinopla, em 1453, que determinou o final da Idade Média, os simpáticos I, V, X, L, C, D e M foram convidados a subir na Torre de Pisa e pular sem pára-quedas?" Não fosse por isso, talvez estivéssemos escrevendo 1999 de uma forma mais clássica e elegante: MCMXCIX.

Mas, fazendo justiça com a História, pois ela costuma ser contada somente pelos vencedores, sinto-me na obrigação de esclarecer um fato desconhecido por todos os usuários da NET residentes em Marte. Pouco depois da morte de Cristo, um puxa-saco do imperador, o qual era muito zeloso e preocupado com o futuro das novas gerações, descobriu um brasileiro que era famoso por efetuar cortes horizontais nas despesas nominais, medida que atenuaria a tristeza do seu amo ante a falta de recursos para a compra de Viagra e pagamentos de concubinas vindas de outras galáxias. A solução apresentada pelo sábio era radical: tornar o mais simples possível a escrita numérica.

Infelizmente, a sugestão do nosso compatriota não foi bem compreendida pela classe dirigente, que era adepta fervorosa da máxima: "Para que simplificar se a gente pode complicar?". Assim, além de determinar que ele fosse confinado durante uma semana numa sala acústica sonorizada com Claudinho & Buchecha, ela criou diversas regras, que nos impedem atualmente de escrever MIM em vez de MCMXCIX.

Por falar em números, há rumores de que o Palácio do Planalto, apesar de estar preocupado com a guerra da Iugoslávia, com o surto de conjuntivite no Rio, com a moratória de Minas e com a epidemia do vírus Tiazinha no Ceará, vai solicitar uma auditoria na apuração das crônicas escritas pelo Eduardo, o que provocaria um sério impasse na negociação do cessar-fogo dos ataques da OTAN. O Governo quer impugnar a crônica do dia 03 de janeiro, escrita em parceria com o Felipe, conferindo-lhe o crédito referente a apenas a metade de uma.

Conforme este raciocínio, ele jamais poderia proclamar que escreveu 100 crônicas, mas 99 crônicas e meia. Nem adiantaria ele dizer que escreverá outras depois, pois ele passaria a ter 100 crônicas e meia e daí em diante...

Paulo Barguil
08/04/1999

 
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