1o de abril

Longe de mim, querer nesta crônica passar um trote em você, só porque hoje é 1o de abril! Eu não me refiro somente à data que você está lendo, mas ao momento em que estou escrevendo, afinal estou aos 35 minutos da 5a feira da Semana Santa. Assim, não vou fazer como a Andréa, esposa do Eduardo, que deixou na entrada do apartamento deles um par de sandália e outro de chinelas, no sábado passado, quando eu fui assistir ao filme As aventuras do barão de Münchausen, só para eu achar que eles tinham chamado alguma amiga para eu conhecer... Mas, o que seriam de nós se os amigos não aprontassem de vez em quando, não é mesmo?

Instantes atrás, fui acometido por uma estranha idéia, manifestação típica dos neurônios da turma B: ao invés de mandar só uma crônica para ele publicar amanhã (ou melhor, mais tarde), por que não mandar duas? Fazendo jus ao estilo deles, tão logo eu aceitei o desafio, eles avisaram que iam dormir, pois tinham trabalhado muito, e que eu devia chamar os da turma A. Antes que eu formulasse qualquer argumento, foram logo me lembrando que estes, desde a conclusão da dissertação, portanto, há mais de 40 dias, não estavam pegando no batente! Ah, aqueles cretinos me pagam: sempre me diziam que as idéias de Karl Marx eram muito complexas, que eles não conseguiam entender aqueles conceitos socialistas. Percebo, agora, que a compreensão deles sobre a divisão social do trabalho supera, em muito, a minha!

Porém, recuso-me a adiar para um amanhã inexistente a execução desta brilhante sugestão: simplesmente não quero ver, mais uma vez, a minha idéia sendo executada por alguém. Uma vez, tudo bem; duas vezes, até que vá lá; mas três é demais, eu não resistiria. Durante alguns meses, pensei em ser um ombudsman do site: escrever sobre as crônicas dos outros colaboradores. Mas, demorei um pouco, e outras pessoas fizeram isto. Depois, imaginei a minha 1a crônica: seria um texto alegre e com tiradas filosóficas sobre a 1a vez na nossa vida. Bah!, qual foi a minha decepção ao ver esta idéia efetivada pelo Jayson, quando da sua estréia. Desisti, novamente, de materializar meu projeto. :-(((

Desta vez será diferente: eu me recuso a carregar no meu âmago a lembrança de mais um óvulo abortado, devido à minha falta de compromisso com o progresso da literatura nacional. No mais, prezado leitor, lamento se a dose dupla não ficou tão boa, no nível desejado, esperado e merecido por você, mas é que estou porre: depois de nove meses (este site começou no dia 1o de julho/98), o bebê nasceu! Parabéns para você!

Paulo Barguil
01/04/1999

 
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