Hoje é 4a feira

São 9:51, em mais uma manhã nublada, do nosso típico inverno cearense, quando sol, chuva e nuvens escuras se revezam animadamente durante as 24 horas do dia, instigando a população local a escolher o traje mais apropriado para os próximos instantes. Do som da sala, vêm acordes da bela O Danúbio Azul, de Strauss. Indago-me a razão de ninguém ter sido poético o suficiente para cantar uma ode ao não menos importante Mar Vermelho.

Considerações filosóficas a parte, o que importa é que minha profissão de fé semanal está sendo cumprida rigorosamente: uma crônica por semana. O fato da anterior ter sido concluída quase às 2 da manhã da 5a feira, dia em que ela vai ao ar, não arranha a minha ficha funcional. Ademais, não posso deixar de ir jogar meu futebol nas noites das 4as feiras só porque o editor chefe tem o meu telefone, sabe onde eu moro, conhece o meu filho e é meu melhor amigo (apesar de até hoje, depois de mais de 4 meses, não ter dado o presente do aniversário dele...). Ele, que é amante do futebol arte, que procure compreender minha tentativa de abrandar a minha frustração de nunca ter sido um artilheiro, daqueles que, após fazerem um gol, correm na direção da torcida do seu time e emocionados beijam o brasão da sua camisa.

Nossa mãe, como está tarde: preciso tomar meu banho (hoje é dia!) e ir bater o ponto, pois a minha solicitação de aposentadoria está enfrentando alguns entraves burocráticos no INSS. Pensando melhor, vou fazer como os sábios franceses, em que um bom perfume resolve quase todas alterações de odor, afinal a qualquer momento Aquele Cretino Maior pode acabar com a Justiça do Trabalho e eu quero estar lá para assistir tudo e poder contar a você!

Paulo Barguil
24/03/1999

 
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